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O processo histórico da colonização e desenvolvimento de Rio do Sul é riquíssimo. Muito há que se contar sobre a história de uma gente que se embrenhou na Mata Atlântica, venceu as dificuldades impostas pelo meio e conseguiu o aldeamento dos índios Xokleng que até então eram vistos como inimigos dos colonizadores.

Rio do Sul começa a surgir com a tentativa de integração das povoações do litoral com os núcleos populacionais da região serrana. Toda a política imigratória do Vale do Itajaí foi realizada com esta finalidade, tornando Blumenau importante centro nas áreas de colonização.

Entre as duas áreas colonizadoras, os índios Xokleng matavam sua fome com recursos da natureza, no local onde se instalavam. Fortes e destemidos defendiam-se com arcos e flechas, tentando impedir o avanço dos colonizadores sobre sua terra.

O Rio Itajaí-Açu desempenhou papel fundamental na fixação dos colonizadores na região do Alto Vale do Itajaí. O núcleo populacional que se formou às margens do rio chamava-se "Suedarm" ou seja, Braço do Sul. Em 1912, o local passou a chamar-se Bella Alliança.

O nome Rio do Sul veio somente em 1931 com emancipação política. Os tropeiros que se aventuraram pelas picadas construídas em 1878 pelo Engenheiro Emil Odebrecht, para ligar a Colônia Blumenau a Lages, precisavam esperar o período de estiagem para atravessar o Rio Itajaí do Sul.

Para facilitar as comunicações, Dr. Blumenau mandou construir uma balsa em 1890.
O balseiro Basílio Corrêa de Negredo enfrentou a hostilidade indígena e construiu sua choupana, que marcou o ponto de partida da formação do núcleo que, durante muito tempo, permaneceu com características rurais, desenvolvendo uma agricultura de subsistência nos lotes dos colonos de origem alemã e italiana nas várzeas do Itajaí-Açu e seus afluentes.

A descoberta do documento mais antigo de Rio do Sul, o Diário de Francisco Frankenberger alterou em partes fatos históricos da colonização de Rio do Sul.

Estudos do documento culminaram com a determinação do dia da colonização, como sete de setembro de 1892.

Correntes de povoamento passaram a procurar o Alto Vale do Itajaí, formadas por descendentes da colônia de Blumenau que encontravam dificuldades para manter-se próximos das terras dos seus pais, devido ao alto preço.

Para Rio do Sul, vieram os colonos dispostos a enfrentar todas as vicissitudes do meio ambiente, num isolamento quase total, devido às dificuldades de comunicação.

O movimento migratório para as terras do Alto Vale, intensificou-se a partir da segunda década do século XX, quando foram, em parte, solucionados os conflitos entre os brancos e os índios.

Os “Bugres” foram aldeados numa área para eles reservada com 20.000 hectares, às margens do Rio Plate, no atual município de José Boiteux.

O processo de pacificação dos indígenas da região teve início no dia 22 de setembro de 1914, quando Eduardo de Lima e Silva Hoerhann conseguiu fazer-se entender aos Xokleng. Para tanto, mostrou suas intenções de amizade entrando na mata.

Conta a história que ao encontrar os índios desconfiados, tirou suas roupas e jogou suas armas. Hoerhann passou a viver entre eles aprendendo sua língua e costumes. Aldeados, os índios tiveram oportunidade de sobrevivência, reduzindo-se assim os constantes conflitos.

Os concessionários do governo passaram a percorrer todo o litoral fazendo propaganda de novas terras para a colonização, com o objetivo de expandir as correntes migratórias, que subiram o Alto Vale do Itajaí, fazendo crescer os núcleos germânicos e italianos.

A construção de estradas, contratadas pelo governo, cujo pagamento era realizado pela concessão de terras devolutas para serem colonizadas alavancou este progresso.

Rio do Sul impôs-se aos demais núcleos do Alto Vale do Itajaí desde o início, graças à sua posição geográfica privilegiada. Estrategicamente localizada, no ponto de encontro das rodovias, começou a desenvolver um intenso comércio de produtos extraídos da área rural, enquanto a indústria surgia aos poucos.

Outro fato que desencadeou o crescimento, foi a construção da Estrada de Ferro, (hoje extinta) com planos de reimplantação através da Tremtur, permitindo a exploração de novas fontes de economia, como foi o caso da madeira.
Dados: Cátia Dagnoni
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