A História
do município de Pouso Alto está intimamente
ligada à penetração das bandeiras
de sertanistas e de aventureiros que demandavam os sertões
das Minas Gerais em busca de riquezas. E como quase
todos os povoados mineiros Pouso Alto também
se formou em torno de um cruzeiro, símbolo da
fé cristã dos desbravadores daquele tempo.
Diz à tradição que, em 1692, os
traficantes de gentio Antônio Delgado da Veiga,
seu filho João da Veiga e Manoel Garcia: paulistas
de Taubaté, embrenharam-se no sertão,
recebendo de um silvícola aprisionado a confidência
de que abundava ouro nas socavas da grande serra, que
se levanta ao Sul de Minas Gerais, formando o limite
natural entre os estados do Rio e São Paulo.
Seduzidos pela perspectiva de melhor negócio
do que a submisSão do gentio, empreenderam aqueles
homens, acompanhados de índios mansos, a arribada
através das encostas e cumes da Mantiqueira,
percorrendo a região onde vivia o livre indígena.
Ao transporem o Vale do Paraíba, encontraram
um aldeamento de índios, no qual pernoitaram,
levantando depois no cimo do morro, onde pousaram, um
rancho de folhas de palmeira, denominando-o Pouso Alto.
E no local do antigo rancho, ergue-se hoje a igreja
Matriz, em torno da qual se estende a bela e acolhedora
cidade.
A capelinha primitiva foi constituída canonicamente
em 1784, sendo dela encarregado o Rev. Padre Vital
Gomes Freire. Elevada à freguesia coletiva
em 16 de janeiro de 1752, ficou criado o curato de
Nossa Senhora da Conceição dos Pousos
Altos, por Ordem régia de 2 de agosto do mesmo
ano. O Decreto Imperial de 14 de junho de 1832 elevou
o curato de Nossa Senhora da Conceição
dos Pousos Altos à categoria de freguesia,
edificando-se a seguir a primeira igreja Matriz, tendo
por oráculo Nossa Senhora da Conceição.
Constituído o distrito de Paz em 1843, pela
Lei no. 2079, de 18 de dezembro de 1874, ficou criada
a vila e município de Pouso Alto, elevada a
cidade por força da Lei no. 2461, de 19 de
outubro de 1878.
Na nobiliarquia brasileira Pouso Alto contribui
com dois Barões: Barão de Pouso Alto
(Francisco Teodoro da Silva) e Barão de Monte
Verde (Joaquim Pereira da Silva).
Na Guerra dos Emboabas, Amador Bueno da Veiga, que
era o chefe dos paulistas fez em Pouso Alto o seu
quartel-general. Daqui ele partiu para o encontro
sangrento junto do rio que tomou o nome de Rio das
Mortes.
O caminho que passa junto do Hotel Serraverde, foi
percorrido pela Princesa Isabel. Em 1884, quando foi
inaugurada a estrada de ferro e a Estação
de Pouso Alto (hoje atual cidade de São Sebastião
do Rio Verde). D. Pedro II recebeu aqui uma homenagem
de todos os moradores e das povoações
vizinhas.
Parte da História de Pouso Alto se perdeu
num incêndio que a mais de 80 anos destruiu
a velha Matriz.
Em época mais recente, aqui viveu o escritor
Ribeiro Couto, autor do famoso romance A Carne; depois
o poeta Manuel Bandeira, vindo à procura de
uma recuperação de saúde. Ribeiro
Couto, diplomata, poeta e escritor, foi durante quatro
anos promotor de Pouso Alto e aqui escreveu a novela
A Cabocla, revivida recentemente através da
televiSão.
O município, um dos maiores do Sul de Minas
em extenSão territorial, tem hoje 6456 habitantes.
Sua atividades principal é a pecuária
e a lavoura, seguidas de produção de
laticínios, assim como produtos de alimentação
e doces caseiros. Outras tradições seculares
São: bordado, tricô, crochê, fabricação
artesanal de cestos e bolsas de palha e de taquara.
Acontecem festas típicas tradicionais todos
os anos em Pouso Alto, Festa da Santa Casa, festas
religiosas no bairros rurais, (Junho a Setembro),
Festa dos Reis (Janeiro), Festas Juninas (durante
todo o mês), Carnaval com temas históricos
e torneios esportivos, Semana Santa com encenação
do quadro vivo com teatro de rua.
Pouso Alto é abençoado pelas ruas,
pela natureza, pelo clima, pelo céu ... e hoje
encanta os visitantes e a todos que a conhecem. As
montanhas que a cercam guardam no seu silêncio
um passado, onde vitórias e derrotas se entrelaçam
para contar a sua História.