A descoberta das
terras do município data do início do
século XVI, com a exploração econômica
subordinada ao ciclo do pau-brasil, registrando-se período
de lutas entre portugueses e estrangeiros que vinham
contrabandear a madeira e, para isso, chegaram até a
aliar-se com os índios tamoios, primeiros habitantes
da região.
A região pertencia à Capitania de São
Vicente e, posteriormente, à do Rio de Janeiro.
Consta que Américo Vespúcio ali aportou, num
local conhecido como "Praia do Cabo da Rama",
a serviço da Coroa portuguesa. Entre os meses
de dezembro de 1503 e janeiro de 1504, construiu a primeira
feitoria lusa nas terras recém-descobertas e lá
deixou cerca de 24 pessoas sob o comando de João
Braga.
Tal feitoria não resistiu muito aos ataques indígenas,
sendo destruída dois anos após sua criação.
Entretanto, João Braga conseguiu reconstruí-la,
numa ilha defronte à povoação chamada
"Ilha do Cabo".
Houve um grande interesse, principalmente por parte
dos franceses, pelo contrabando do pau-brasil, abundante
na região, o que levou o Rei Felipe II a ordenar
ao governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau,
que promovesse a expulSão dos franceses daquela região.
Seguiu-se um fluxo migratório, ocasionando um
aumento populacional, para logo em seguida ser construído
um forte, denominado "Santo Inácio",
com o objetivo de manter os franceses afastados da região.
Com a emancipação, dada pelo Alvará
de 13 de novembro de 1615, foi fundada a cidade de Santa
Helena.
Porém, verificou-se que havia um local mais estratégico
para assentar a Vila, sendo a mesma transferida para
a "ponta sul", onde foram iniciados os trabalhos
de construção da igreja matriz e de um
novo forte, em substituição ao antigo,
o qual recebeu o nome de "São Mateus".
A partir de 15 de agosto de 1616, data da instalação
do município, a cidade passou a chamar-se Nossa
Senhora da Assunção de Cabo Frio, tendo
sido ponto importante para o desenvolvimento e conquista
do território fluminense.
O núcleo urbano prosperou lentamente até fins
do século XIX, baseando-se a economia na agricultura
com mão-de-obra escrava, realizada em grandes
latifúndios. A abolição da escravatura
ocasionou o colapso econômico de que Cabo Frio
só se restabeleceria bem mais tarde, com o desenvolvimento
da indústria do sal, da pesca e do turismo, e
sobretudo a implantação da rodovia e da
estrada de ferro (atualmente desativada).
A ferrovia Niterói-Cabo Frio, as melhorias no
porto de Arraial do Cabo e a posterior inauguração
da rodovia RJ-106, a Amaral Peixoto, contribuíram
para o aumento da produção do sal e para
o transporte eficiente até a capital da República
e outros importantes centros consumidores do país.
O auge do desenvolvimento setorial ocorreu na década
de 60, com a instalação de duas grandes
usinas de beneficiamento de sal em Cabo Frio, e com
a construção do complexo industrial da
Cia. Nacional de Álcalis, no antigo distrito
de Arraial do Cabo, que abriu salinas e passou a extrair
conchas na lagoa para produção de barrilha.
O processo que gerou a ocupação da sede
do município foi o resultado da rápida
mudança funcional ocorrida nos últimos
quarenta anos, durante os quais o pequeno
núcleo pesqueiro e salineiro se transformou em
importante centro turístico do Estado.
O núcleo de Cabo Frio situa-se em Área de topografia
plana, com pequenas elevações, tendo sido
seu crescimento fortemente condicionado pela presença
do canal que liga a Lagoa de Araruama ao mar, cortando
a cidade.
Mais recentemente, foram desmembrados de seu território
os distritos de Arraial do Cabo e Armação
dos Búzios. |