Nos primeiros tempos,
Itu (do indígena Itu-Guaçu ou Utu-Guaçu
- que quer dizer cachoeira grande, e foi denominada
em homenagem à cachoeira Salto de Itu) foi ponto
de apoio e ligação para as expedições,
por haver diversos caminhos terrestres e fluviais.
A cidade, bem como a região, começou
a ser povoada no final do século XVI. Os colonos
portugueses, como Domingos Fernandes e seus familiares,
chegaram em Itu em 1604, quando construíram
uma capela dedicada a Nossa Senhora da Candelária.
A capela, que deu início ao povoado, foi inaugurada
no dia 2 de fevereiro de 1610. Somente em 1657 chegou
à vila, passando a ter poder administrativo
local. Itu participou do movimento bandeirista, abrigou
o movimento de organização das Monções
(Porto Feliz foi ponto de partida das Monções,
expedições de bandeirantes que, navegando
pelo rio Tietê, expandiram as fronteiras brasileiras,
sempre em busca das minas de ouro de Cuiabá,
no Mato Grosso) e foi berço da Convenção
Republicana, cultivando o título de Berço
da República.
Hoje, seu centro histórico acolhe exemplares
arquitetônicos que documentam os diferentes
momentos de sua formação, vindo a ser
patrimônio cultural de grande importância
para o Brasil.
O marco de Fundação da cidade foi a
construção, em 1610, de uma capela dedicada
a Nossa Senhora da Candelária, no lugar em
que hoje fica a Igreja do Bom Jesus. A capela foi
construída por Domingos Fernandes e Cristóvão
Diniz, que era seu genro. Cabe ainda anotar, que essa
capela foi construída nos campos de Pirapitingui,
chamado pelos índios de Itu-Guaçu ou
Utu-Guaçu.
O povoado se formou ao lado dessa capela que, de
1653 a 1657, foi Igreja Matriz; nesse ano (1657),
Itu deixou de ser Freguesia de Santana do Parnaíba,
passando à condição de vila,
e iniciou-se a construção de um novo
templo.
Durante quase 100 anos (de 1657 a 1750) a vila de
Itu não passou de um pequeno núcleo.
Uma boa parte das casas, as localizadas no pátio,
pertenciam a fazendeiros. Com o aumento da escravatura
e a produção das fazendas, seus donos
ajudaram a erguer dois conventos e algumas igrejas
na vila: os conventos de São Francisco e do
Carmo, e as igrejas de São Luiz Bispo de Tolosa,
do Bom Jesus, Nossa Senhora da Candelária,
do Carmo e a de Santa Rita. Em 1760, foi criada mais
uma rua, chamada Palma (hoje atual rua dos Andradas).
Vale lembrar que a primeira rua de Itu, chamada Direita
(conhecida por Paula Souza), foi durante muito tempo
a única da cidade. Nessa época, Itu
se firmou como entreposto de Comércio na rota
entre o sul do país e as regiões mineradoras
de Mato Grosso e Goiás. Alguns anos depois,
com o crescimento das lavouras do açúcar
e do algodão, a vila cresceu, tendo ainda as
mesmas ruas de antes.
Quem dava vida à localidade eram os arteSãos
(sapateiros, ferreiros, latoeiros, carpinteiros, tecelãos,
costureiras e fiandeiras). Os comerciantes interessados
na venda de tecidos, colchas e cobertores, cultivavam
o algodão, e a produção dos tecidos
era caseira.
Com a exportação do açúcar
para a Europa, Itu começava a crescer. O número
de engenhos de cana e de escravos, agora vindos da
África e não do sertão, multiplicavam-se.
De 1785 a 1792, foram abertas mais ruas. Nessas ruas
e seus prolongamentos pelo lado da Igreja do Patrocínio
é que se formou, até 1865, a cidade
que hoje constitui o Centro Histórico.
A fase de maior crescimento da cidade foi entre 1836
e 1854. Nessa época, Itu era a vila mais rica
de toda a Província, tendo (desde o início
do século) importante participação
na vida política e econômica. Em 1842,
a vila foi elevada à condição
de cidade. Em 1860, ocorreu uma grande crise no mercado
internacional do açúcar.
O plantio da cana entra em decadência, causando,
com o tempo, um conflito entre os políticos
e os fazendeiros ituanos contra o governo Imperial.
A partir daí, cresceu em Itu o movimento republicano,
que resultou, em 1873, na realização
da Primeira Convenção Republicana do
país. Nessa época, o açúcar
começou a ser substituído pelo café.
Com o aumento da produção cafeeira,
os fazendeiros ituanos buscam, na Europa, a vinda
de imigrantes para substituir a mão-de-obra
escrava. O tráfico havia sido proibido em 1850,
e a escravatura, abolida em 1888. Com a ajuda do governo
republicano, proclamado em 1889, vieram para Itu milhares
de imigrantes, na sua grande maioria, italianos.
O café foi a base da economia do município
até 1935, decaindo depois, pela concorrência
de outras Áreas de plantio e pelo esgotamento
de suas terras. Mas foi em 1950 que várias
indústrias começaram a se instalar na
cidade. Também nessa época, ocorreu
grande migração rural em busca de trabalho.
A cidade estava começando a crescer com a abertura
de diversos loteamentos na periferia.
Hoje a cidade não é tão valorizada
como antigamente. O velho centro acabou sendo modificado;
os objetos antigos, imagens das igrejas e pertences
particulares, foram comercializados, sobrando pouca
coisa que resgate a História da da cidade.
Em 1968, com a inauguração da rodovia
Castelo Branco, novas indústrias instalaram-se
em Itu, principalmente às margens de suas estradas
de acesso.