O desbravamento do atual território de Itaguaí
foi iniciado em meados do século XVII, quando
índios da Ilha de Jaguanum (na época
denominada Jaguaramenon) se transferiram para a Ilha
de Itacuruçá. Da ilha mais tarde atravessaram
para o Continente onde se fixaram entre os rios Tinguaçu
e Itaguaí. Nesse local chegaram mais tarde
os missionários da Companhia de Jesus para
iniciar sua catequese.
A origem do nome de Itaguaí seria a junção
de duas palavras no vocabulário Tupi: Ita =
Pedra, e Guay = lago, ou seja Lago entre Pedras. Outra
verSão diz ainda que viria de Tagoahy, que
quer dizer Tagoa = Amarela e hy = água, significando
"água amarela" ou rio de água
amarela. Significando a cor amarelada de suas águas,
em razão da argila em seu leito, donde viria
o nome Itaguaí.
Confirmando essa última verSão, temos
o aldeamento dos jesuítas que chamava-se Taguay
devido ao fato de os índios obterem água
potável de poços abertos em lugares
argilosos (Taguá = barro, Y - água).
Essa aldeia foi instalada ao norte do Rio Itaguaí
onde existia uma demarcação do rio Piassuguera.
Foi construída uma igreja nesse aldeamento
pelos jesuítas Suas atividades, no entanto,
começaram em Junho de 1688.
Não existem outras informações
desse período com exceção de
relatos dos viajantes que utilizavam o Caminho de
São Paulo. Os jesuítas mudaram-se para
a Fazenda Santa Cruz para ficarem mais próximos
do oceano. Mudaram-se levando todos os habitantes
do arraial.
Nesse novo local em 1718 foi iniciada a construção
do novo templo dedicado a São Francisco Xavier,
que foi concluído em 1729. É a mesma
igreja que continua sendo a matriz de Itaguaí.
Com a expulSão dos jesuítas pelo Marquês
de Pombal em 1755 a aldeia ficou sem sua escola e
perdeu também a organização base
do aldeamento que era feita pelos jesuítas,
mas o povoado subsistiu.
Itaguaí passou à categoria de Paróquia
em 1795. A atividade econômica de praticamente
toda região costeira incluindo Itaguaí
eram as plantações de cana-de-açúcar.
Suas terras férteis proporcionaram uma vida
rural e comercial bastante vigorosa durante todo o
século XIX.
Itaguaí passou a condição de
Vila em 5 de Julho de 1818 com o nome de Vila de São
Francisco Xavier de Itaguaí. Nesse período
ainda lutava para combater um dos problemas que havia
existido desde o começo de sua instalação:
a febre palustre - a malária.
A região que compreendia essa vila compreendia
a Freguesia de Marapicu, o Ribeirão das Lajes
e a Freguesia de Mangaratiba.
Consta que na sua ida para São Paulo onde proclamaria
a Independência do Brasil em 1822, D. Pedro
I pernoitou em Itaguaí, já que esse
era o caminho utilizado normalmente para se ir a São
Paulo.
Santa Cruz que pertencia a Itaguaí até
1833 foi então desligada desta cidade e incorporada
à cidade do Rio de Janeiro.
Em Itaguaí havia uma canal onde eram embarcadas
mercadorias e produtos para o Rio de Janeiro. Em 1836
esse canal foi alargado e existe até hoje ficando
próximo da Estação Ferroviária.
Nascem em Itaguaí Quintino Bocaiúva
- jornalista e político - em 1836 e o Barão
de Teffé em 1837, militar e geógrafo.
Em 1844 foi fundada Seropédica cujo nome deriva
da sericultura - criação do bicho da
seda. Foi o início da primeira Fábrica
de Tecidos de Seda do Brasil, tendo sido distrito
de Itaguaí durante muitos anos do qual foi
emancipada em 1996.
Em 1847 foi construído o Chafariz, pequena
construção que abrigava uma fonte de
água potável e que servia a todos os
viajantes de passagem por Itaguaí. O gracioso
prédio pertence ao patrimônio histórico
da cidade nos dias de hoje.
Itaguaí ainda abrigou o nascimento de Luiz
Norton Barreto Murat em 1865, fundador da 1ª
Cadeira da Academia Brasileira de Letras, grande paisagista
de sua época. O proprietário rural Antônio
Dina Pavão recebeu o título em 1868
de Conde de Itaguaí.
Em 1870 foi pintado um quadro do Imperador D. Pedro
II. Este quadro do qual só existe um outro
em Petrópolis no mesmo estilo, se encontra
na Câmara de Vereadores de Itaguaí.
Itaguaí já em 1880 estava ampliando
suas atividades agrícolas e exportava seus
produtos. Produzia cereais, café, açúcar,
farinha e aguardente. Uma das bibliotecas mais antigas
do Brasil foi fundada em Itaguaí em 1880. Nela
constam livros doados por D. Pedro II e nesse período
ela chegou a possuir 2.500 livros.
O transporte de tração animal fazendo
ligação entre Itaguaí e Santa
Cruz foi também inaugurado em 1880.
Como a região era inteiramente dedicada à
agricultura e dependente do trabalho escravo, com
a abolição da escravatura a cidade sofreu
um grande abalo. Como os escravos partiram imediatamente
após a assinatura da Lei Áurea, os proprietários
perderam suas colheitas, (além de ter perdido
o capital investido na compra desses escravos) já
que não haviam providenciado colonos para substituir
os escravos.
Consta que Machado de Assis residiu pôr algum
tempo na Casa Verde, antiga Fazenda Santa Teresa e
que lá escreveu parte de seu romance Dom Casmurro.
Bidu Sayão, uma das maiores cantoras líricas
do país, nasceu em Itaguaí em 1902.
Em 1910 foi construída a Estação
Ferroviária de Itaguaí. Conta um morador
antigo que os usuários da "Maria Fumaça"
fechavam suas janelas ao passar por Itaguaí
com medo da malária que ainda ocorria em surtos
na região.
Já em 1938 começou a ser construída
a Universidade Rural do Rio de Janeiro em Seropédica
utilizando um dos prédios da antiga Fábrica
de Seda.
Em 1939 chegavam a Itaguaí os primeiros imigrantes
japoneses. Eles deixavam o estado de São Paulo
vindo se instalar em Itaguaí e com seu trabalho
e conhecimento da agricultura incrementaram a lavoura
nesse território contribuindo para o saneamento
das Áreas agrícolas.
Após a guerra, em 1946, chegaram novos imigrantes
a Itaguaí. Em 1947 foi construída a
Câmara de Vereadores de Itaguaí.
A cidade progrediu a partir dos anos 60 tornando-se
um município com características industriais.
Em 1975 foi inaugurada a Nuclep, em 1976 a Usina de
Itaguaí, em 1987 foi iniciado o Programa Nacional
de Petroquímica para o período de 1987
a 1995. Atualmente esta sendo desenvolvido o Projeto
do Porto de Sepetiba que visa transformar o atual
porto no maior porto da América Latina.
|